EIXOS TEMÁTICOS 

1. Mudanças demográficas, sociais e epidemiológicas

 

Nas últimas décadas, as sociedades desenvolvidas enfrentam um conjunto de mudanças estruturais com impacte territorial e demográfico, sejam as migrações de natureza diversa (económica, causa ambiental ou política) ou o envelhecimento populacional. O acréscimo de longevidade está associado a uma redução da fecundidade bem como à mudança do perfil epidemiológico, com contração da morbilidade e da incapacidade nas idades mais avançadas, gerando impactes diversos na saúde individual e coletiva que importa conhecer. Os impactos gerados pela pandemia da COVID-19 provocaram uma aceleração desses problemas demográficos, nomeadamente no Brasil e em Portugal.

 

Paulo Nossa, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (CEGOT – FLUC), Portugal.
Christovam Barcellos, Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), Fundação Oswaldo Cruz, Brasil.
Anabela Mota Pinto, Faculdade de Medicina (FMUC), Universidade de Coimbra, Portugal.

2. Equidade e desigualdades em Saúde: desafios para as políticas públicas


A questão das desigualdades em saúde, medidas pelos resultados em saúde e/ou pela variabilidade do acesso à oferta dos serviços de saúde, é um tema atual ao qual se junta a problemática do investimento em saúde no período pós-pandemia, seja na esfera da corresponsabilização dos indivíduos, seja no domínio do investimento público em saúde. Os últimos anos, foram de enorme exigência para os sistemas de saúde. A concentração na resposta à pandemia, teve implicações no acompanhamento das restantes patologias e no funcionamento dos sistemas de saúde. Assistimos à emergência de novas condicionantes de saúde e “novas patologias”, mas também a um agudizar das outras patologias, descuradas por incapacidade do sistema e limitações das populações, com impactes diferenciados nos diferentes grupos etários e socio-económicos. Neste contexto é importante discutir os cenários de vulnerabilidade e de oportunidade que afetam os sujeitos, os territórios e as políticas públicas em saúde, identificando os principais desafios para as politicas publicas nos países de língua portuguesa nos próximos anos.

 

Eduarda Marques da Costa, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT), Portugal;
Raul B. Guimarães, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Brasil; 
Paulo Sousa, Escola Nacional de Saúde Pública (UNL), Portugal;
Rui Portugal, Faculdade de Medicina (FMUL), Universidade de Lisboa, Portugal.

 

3. Variabilidade climática e cenários de risco


As alterações climáticas ou o aumento de frequência de fenómenos extremos têm evidenciado um potencial de crescente sinistralidade com implicações diretas e indiretas na deterioração da saúde das populações com impactes ao nível da resiliência, assistência, solidariedade e coesão territorial. A leitura destes processos, a diferentes escalas, constitui uma importante fonte de reflexão para melhorar as condições de prevenção, socorro e melhoria das condições de saúde das populações em cenários de risco.

Lúcio Cunha, Centro de Estudos Geográficos, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (CEGOT – FLUC), Portugal;
Eduardo A. W. Ribeiro, Instituto Federal Catarinense (IFC – SC), Brasil; 
João Vasconcelos, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT – ULisboa), Portugal.

 

4. Planeamento urbano saudável: uma abordagem à saúde em todas as políticas


Aumentar a qualidade de vida das populações é um desígnio que tem vindo a assumir uma importância crescente no quadro das políticas urbanas e regionais. Pela sua complexidade, o seu entendimento passa pelo desenvolvimento de abordagens transdisciplinares e por uma leitura multiescalar e multisectorial, capaz de integrar e discutir a importância dos vários determinantes, que incluem não só aspetos físico-ambientais, mas também os socioculturais, económicos e psicológicos. Neste contexto, temas variados como a promoção da saúde nas suas várias vertentes, envelhecimento e vida ativa, impactes das alterações climáticas na saúde e qualidade de vida incluindo o desenvolvimento de serviços de monitorização dessas alterações no campo da saúde pública, desenho urbano e estratégias de mobilidade saudável e inclusiva, iniquidade em saúde, entre outros, são bem-vindos contribuindo com soluções para um planeamento urbano e regional mais saudável, reconhecendo o papel da prática na implementação da agenda das Cidades Saudáveis.

Nuno Marques da Costa, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT – ULisboa), Portugal;
Samuel C. Lima, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Brasil;
Helena Madureira, Universidade do Porto, Portugal;
Ana Louro, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT – ULisboa), Portugal.

 

5. Turismo, desenvolvimento e saúde


O turismo de saúde e bem-estar tem vindo a reforçar o seu papel no desenvolvimento do território e na afirmação de novos produtos turísticos. Apesar do impacto que a pandemia da COVID-19 provocou nesta atividades, assistimos a uma afirmação do turismo médico, que promove a mobilidade de pessoas com vista ao tratamento médico nos países de destino. Vários fatores são apontados como explicativos para a importância desta mobilidade: os custos elevados dos serviços praticados nos países de origem, a espera prolongada de cirurgias, conforto no pós-operatório e possibilidade de aproveitar algumas novas tecnologias. O turismo médico pode contribuir muito para as receitas do governo e oferecer oportunidades de emprego para os indivíduos nativos.

 

Carlos Ferreira, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (CEGOT – FLUC), Portugal.
Jorge Umbelino, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), Portugal.
José da Silva, Universidade Pedagógica de Maputo (UP), Moçambique.

6. Segurança alimentar, educação e práticas alternativas em saúde


A alimentação como um dos determinantes da saúde e um direito inerente a todas as pessoas foi muito valorizada no decorrer da pandemia da COVID-19. Além das consequências da insegurança alimentar e nutricional na saúde da população, a exemplo da obesidade, desnutrição e carências nutricionais específicas, o período pandémico reforçou ainda mais a importância  de políticas e programas de alimentação e nutrição. Afinal, a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional exige uma conjunção de programas de saúde pública liderados por órgãos governamentais, mas também por organizações da sociedade civil, que procuram responder à crescente insegurança alimentar.

Patrícia Abrantes, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT), Portugal;
Adeir Archanjo da Mota, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Brasil;
Francisco A. Mendonça, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Brasil.

7. Qualidade de informação, SIG e processos de apoio à decisão


Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e a sua interação com a Geografia mostram não apenas a capacidade de robustecer e agilizar metodologias de análise espacial, mas também potenciar novos horizontes de atuação da disciplina. Tirando partido da evolução desta ferramenta, a investigação em saúde tem beneficiado das múltiplas aplicações e soluções geradas, com destaque para a necessária qualidade de informação nos processos de apoio à decisão, em diferentes escalas e domínios, seja no âmbito da epidemiologia espacial, na compreensão da etiologia ou no apoio à decisão. Inúmeras formas de aplicação dos SIGs no processo de apoio à decisão dos gestores de saúde durante a pandemia da COVID-19 podem ser destacados para o aprofundamento desta reflexão. 

Paulo Morgado, Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa (CEG – IGOT), Portugal;
Lígia Vizeu Barroso, Universidade de São Paulo (USP), Brasil;
Maria de Fátima Pina, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.

8. Ambiente e saúde


No início do século XXI, algumas das maiores questões políticas e académicas são relativas ao ambiente, à sustentabilidade, bem-estar e à saúde da população. A evidência científica tem vindo a demonstrar que ritmos acelerados de crescimento da população urbana podem ter consequências negativas sempre que as condições ambientais comprometerem a saúde. Nesta sessão serão apresentados e discutidos trabalhos que destaquem a relação entre o ambiente físico e social (local onde as pessoas nascem, trabalham e residem) e a saúde da população (física e mental).

 

Paula Santana, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (CEGOT – FLUC), Portugal.
Ricardo Almendra, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (CEGOT – FLUC), Portugal.
Martha P. B. Pereira, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil.
Helen Gurgel, Universidade de Brasília (UnB), Brasil.